segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Shiver

A slip of the tongue
A perception
Of a thought
A fraction caught
Through the slit
That was won

Lost the guidance
Of a reason
Long built
Damn guilt
One more season
Of silence

The distance
The timing
The linger
Says "timber!"
To rhyming
All instants

Fast and frail
Instead
Of pure pride
Went to hide
In a bed
Full of hail

And in silver
Absence
Sings on repeat
A soul beat
Intense
Shiver

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Despertar

         - Você sonhou com alguma coisa?
         - Sim, sim. 
         - Com o que você sonhou? - perguntava o rapaz ao seu lado na cama. Era de madrugada, e sentia-se completamente imersa em escuridão. Uma daquelas que conseguiam trazer, ao mesmo tempo, tensão e tristeza.
         Respirou fundo, e retesou o corpo cuidadosamente encolhido em direção à parede, para evitar olhá-lo. Tudo o que via estava em sua mente; a tinta das mechas róseo-arroxeadas e a intensidade em seu falar; a vibração pesada de seu próprio peito, completamente arrítmica, ecoava em todo o seu corpo.
         - Foi um sonho estranho. Algo com um corretor de imóveis... - afirmava em meio aos velozes pensamentos que a coroavam em menor número do que a porcentagem de probabilidade de que eles estivessem errados. Tentou disfarçar o semblante abatido encolhendo-se e cobrindo-se com os lençóis. Ela não esquecera... mas esqueceria. Mas, no momento, não havia como - o estalar de dentes e língua se fazia ouvir a poucos palmos de distância, e as pontas de seus dedos percorriam o corpo dela, apalpando seus seios e cintura, centímetro a centímetro, durante as poucas horas de sono.
         - Isso tudo é sono? - aquela voz, sem dúvida, novamente se dirigira a ela. Quem dera o fosse... mas não iria explicar. Nem valeria a pena.
         Naquela fração de segundo, as memórias voltavam. Da primeira vez, fora um insulto leve, com todos os dedos da mão, teclado e toques a travar, visível a seus olhos. Ela não acreditara. Ainda surpresa pela indiferença, pensara ter sido consequência da falta de tato em seu falar. "Ele está brincando", disse a si mesma. Então, várias vezes depois, os mesmos dedos passearam e repousaram, por vários momentos, regiões próximas à sua cintura. Só depois de algum tempo reconheceu, como real, a frieza disfarçada naqueles toques; e percebia a razão para tal. Quem ele era, e o que passara, pra trilhar tal caminho. "É certo que ele está, pleno e conscientemente, com vontade de outro alguém."
          Inspirou o que podia, e afundou levemente a cabeça no travesseiro. Ele estava mais distante de si do que o costumeiro - no entanto, não fisicamente. Não estava coberto, salvo por uma camisa na região dos olhos. Decidiu, então, ver o quanto ele estava realmente excitado, da forma mais rápida que sabia - e encostou as nádegas em sua virilha. Nenhuma reação. "Foi o que pensei", confirmou. Já estava voltando a dormir quando sentiu as mãos dele puxarem e deslizarem a sua calcinha até pouco abaixo de suas nádegas.
      Aquela pessoa que a tratara tão bem, de forma divertida, e até estranhamente doce, durante o pouco tempo que conviveram, estava novamente ali, misturada a lençóis, roupas, mochilas e outras tantas coisas, tão desconfortavelmente e egoistamente mesclada a seu corpo. Era apenas natural que acreditasse que ele era a mesma pessoa que convivera, durante alguns meses, naquele quarto, e que desprezara dar atenção ao que vai além do alcance da vista, dizendo, ao final das contas, absolutamente nada - novamente, nem mesmo a olhara nos olhos naquele dia. E ali, naquele momento e local, sem consideração alguma, ele a entristecia.
         O sono decidira ausentar-se do corpo daquela morena. Então, ela escolheu tentar ninar suas revelações - e o seu corpo entregava. Movia-se devagar sobre a cama de casal, tentando achar uma nova posição para manter corpo e mente, tendo o descanso completamente atrapalhado por aquele ser de pele suada e lábios ressecados que lhe penetrava e proporcionava a noite mais desagradável que tivera naquele ano. Era difícil não chorar naquela situação toda. Mas não iria, e sabia o porquê - então, decidiu encolher-se novamente, encarando a parede descascada e outrora branca daquele cômodo antes de fechar os olhos.
           Súbita e bruscamente, dois longos braços empurraram suas costas contra o peito daquele que a possuía. Uma das mãos segurava sua nádega esquerda, enquanto a outra envolvia o seu pescoço, pressionando-o entre seus dedos, fazendo com que a cabeça da jovem se inclinasse para trás, e depois puxava com força os fios coloridos de sua cabeça. A moça unira as duas mãos, e as pôs sobre seu peito, sentindo o coração em disparada. Apesar disto, seu corpo, como um todo, estava sereno, completamente entregue naquele enlace. Decerto, seu gozo fora arrebatado - isto era inegável. Seus olhos, ainda fechados em meio à decepção e a crueldade, molharam-se, em um lamento - e aqueles longos minutos se tornaram uma eternidade em seus poros.

            (...)

          Abrira os olhos. Ainda estava de costas para ele, e levemente irrequieta, apesar de imóvel. Uma constelação de sinais perdidos, manchas na camisa preta e marcas no pescoço dele, não feitas por ela, prendia o desejo dela entre um abismo largo e uma relação agudamente brevilínea. Ela já sabia o que iria fazer, mas não quando iria fazê-lo - e certamente não seria como gostaria. 
               - Me chupe - indagou o rapaz, ainda sem encará-la.
            - H.. Hum. - balbuciou a jovem. Então, aproximando-se dele, estendeu uma das mãos e envolveu, rapidamente, sua palma e dedos ao redor de seu pênis; movendo e umedecendo, em seguida, a glande dele com a sua boca, deslizando-a sobre ela. 
                     Os olhos dela, mortos, voltaram a se cerrar à medida em que ele empurrava a sua cabeça e controlava seu ritmo, pressionando sua pélvis contra ela cada vez mais.
               - Vou gozar - informou o rapaz, tranquila e secamente. Não iria mais se conter - a força o abandonara.
                 Ele permaneceu imóvel sobre a cama, o sêmen a jorrar na direção da garganta da moça; e, em um silêncio profundo e determinado, disse ao mesmo tudo e nada.

                   (...)

                  "- Se continuar me dando espaço, eu vou me jogar em cima de você.
                  - Oh... Eu posso chegar para trás, e voltar a ficar deitada no canto da cama, então - retrucou ela.
                  - Não é desse tipo de espaço que eu estou falando - devolveu ele."

                   (...)

          Ela lembrara disso. Sabia que o queria. O espaço que, justamente por ignorar todas as responsabilidades, e quase todos os altruísmos, ele nunca cederia. Mas o dela, ela novamente cerraria. É o que poderia - não, deveria, na verdade - fazer, enquanto o tempo ainda era curto, enquanto podia sarar qualquer risco...
      Sozinha, enterrou todas as possibilidades em um banho rápido, e as cobriu pelo silêncio permanente que teceu, dia a dia, a partir daquela madrugada de quarta-feira.

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Continuação de "Limiar", postado anteriormente. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Limiar

         - Você sonhou com alguma coisa?
         - H.. hum?...
         - Com o que você sonhou? - perguntava o rapaz ao seu lado na cama. Era de manhã, mas sentia-se completamente envolta em penumbra. Uma daquelas que conseguiam trazer, ao mesmo tempo, tensão e leveza.
         Respirou fundo, e girou o corpo cuidadosamente encolhido em direção à parede, para olhá-lo. Tudo o que via era a luz das mechas onduladas e louras e a escuridão em seu olhar; a vibração de seu riso leve e sem jeito ecoava em seu peito e sua mente.
         - Esqueci, eu acho. Eu realmente esqueci... - tentou afirmar em meio aos velozes pensamentos que a coroavam em maior número do que as curvas dos fios quebrados cobriam o topo da cabeça dele. Tentou disfarçar o sorriso encolhendo-se e cobrindo-se com os lençóis. Ela não esquecera... Não de todo. Nem havia como, quando o soprar do sonho vinha a poucos palmos de distância, e as pontas de seus dedos o teciam na mente dela por sua pele e cabelos, fio a fio, durante as poucas horas de sono.
         - Isso tudo é frio? - aquela voz, em dúvida, novamente se dirigira a ela. Quem dera o fosse... mas não podia explicar. Nem saberia como.
         Naquela fração de segundo, as sensações voltavam. Da primeira vez, fora um toque leve, com o indicador e o polegar, em seu pescoço. Ela não acreditara. Ainda suspensa em sonolência, pensara ter sido consequência do cansaço pesado de seu corpo. "Estou sonhando", disse a si mesma. Então, REMs depois, mais dedos passearam e repousaram, por um momento, sobre sua cintura. Só então reconheceu, como real, o calor daquele toque; porém, não via razão para tal. Quem ela era, e o que fizera, pra inspirar tal carinho? "Talvez ele esteja, inconscientemente, com saudades de alguém."
          Inspirou profundamente, e inclinou levemente a cabeça. Ele estava mais próximo de si do que o costumeiro. Não estava coberto, salvo por uma camisa na região dos olhos. Decidiu, então, ver o quanto ele estava acordado, da forma mais leve que sabia - e tocou-lhe as pernas com os dedos dos pés. Nenhuma reação. "Foi o que pensei", confirmou. Já estava quase dormindo quando sentiu os joelhos dele a tocarem pouco abaixo de suas nádegas.
      Aquela pessoa que sempre vira tão séria, reservada, distante, durante o pouco tempo que conviveram, agora estava ali, misturada a lençóis, roupas, mochilas e outras tantas coisas, tão estranhamente e surpreendentemete próxima de seu corpo. Era apenas natural que não acreditasse que era a mesma pessoa que conhecera, há alguns anos, naquele estúdio, e que despertara sua atenção à primeira vista fazendo absolutamente nada - nem mesmo a olhara nos olhos naquele dia. E ali, naquele momento e local, sem palavras, ele a respondia.
         O sono decidira ausentar-se do corpo daquela morena. Então, ela escolheu tentar ninar suas hesitações. Mas o seu pulso a entregava. Movia-se devagar sobre a cama de casal, tentando achar uma nova posição para repousar corpo e mente, sem atrapalhar o descanso daquele moço de pele leitosa e lábios polpudos que lhe hospedara e proporcionara uma das noites mais agradáveis que tivera naquele ano. Era difícil não rir daquela situação toda. Mas não podia, e sabia o porquê - então, decidiu encolher-se novamente, encarando a parede descascada e outrora branca daquele cômodo antes de fechar os olhos.
           Súbita e delicadamente, dois longos braços pressionaram suas costas contra o peito daquele que a abraçara. Uma das mãos segurava seu queixo, enquanto a outra enrolava os cachos róseo-escuros entre seus dedos, acariciando o topo de sua cabeça. A moça unira as duas mãos, e as pôs sobre seu peito, sentindo o coração em disparada. Apesar disto, seu corpo, como um todo, estava sereno, completamente absorto naquele enlace. Decerto, sua respiração fora arrebatada - isto era inegável. Seus olhos, abertos por um momento em meio à surpresa e a incredulidade, fecharam-se, em júbilo - e aqueles poucos segundos se tornaram uma eternidade em seus poros.

            (...)

         Abrira os olhos. Ele estava de costas, e levemente irrequieto, apesar de imóvel. Uma constelação de sinais, manchas e marças de nascença prendia o olhar dela entre ombros não tão largos e uma cintura levemente curvilínea. Ainda não sabia como responder, mas iria fazê-lo - mesmo que não fosse como gostaria. 
               - Você realmente não sonhou com alguma coisa? - indagou o rapaz, ainda sem encará-la.
          - H.. Hum. - balbuciou a jovem. Então, aproximando-se dele, estendeu as mãos e tocou, timidamente, nos anéis louros e longos do seu cabelo; movendo uma delas, em seguida, para sua nuca, e deslizando os dedos sobre dela. 
               Os olhos dela brilhavam à medida em que ele sorria, e ria, cada vez mais.
               - É... eu acho que não é engraçado apenas em minha cabeça... - constatou o rapaz, rindo nervosamente. Não conseguia mais esconder - a moça o decifrara.
                 Ele virou-se sobre a cama, voltando o olhar na direção da mesa do computador; e, com uma voz profunda e determinada, disse:
                  - Se continuar me dando espaço, eu vou me jogar em cima de você.
                  - Oh... Eu posso chegar para trás, e voltar a ficar deitada no canto da cama, então - retrucou ela.
                  - Não é desse tipo de espaço que eu estou falando - devolveu ele.
          Ambos sabiam disso. Sabiam que o queriam. Um espaço que, ignorando todas as responsabilidades, e quase todos os altruísmos, ela certamente cederia - mas não poderia. Não deveria, na verdade - não depois de tanto tempo, e do que estava em risco. Juntos, enterraram todas as possibilidades em um suspiro longo, e as cobriram pelo silêncio torturante daquela manhã de domingo.

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30.10.16. Parcialmente inspirado em Jessie Ware - Share it All

domingo, 4 de agosto de 2013

Desconstrução

Trepou daquela vez como se fosse mágica
Com devaneios mil naquela pele límpida
Tensão e nervosismo em uma expressão plástica
Sorveu o seu suor com um desejo sôfrego
Calou a sua mente em milhões de ósculos
Mordeu os lábios e suas quimeras místicas
Traçou caminhos tortos com seus dedos tímidos
E apontava para aquele membro rígido
Enquanto olhava a face serena e lânguida
A pele arrepiou, ah, que momento único
Desviou o olhar contendo toda lágrima
Unidos de uma forma prazerosa e úmida
Movia o corpo nu como se fosse música
Deixava-se levar como se fosse bêbado
Gemeu e atirou-se em um clima íntimo
Confessou várias coisas que dizia trágicas
Sentou-se e descansou sua coluna sólida

Trepou daquela vez como se fosse bêbado
Com devaneios mil naquela pele sôfrega
Tensão e nervosismo em uma expressão sádica
Sorveu o seu suor com um desejo tímido
Calou a sua mente em milhões de músicas
Mordeu os lábios e suas quimeras lânguidas
Traçou caminhos tortos com seus dedos ríspidos
E apontava para aquele membro úmido
Enquanto olhava a face serena e plástica
A pele arrepiou, ah, que momento trágico
Desviou o olhar contendo toda música
Unidos de uma forma prazerosa e sórdida
Movia o corpo nu como se fosse ótimo
Deixava-se levar como se fosse único
Gemeu e atirou-se em um clima místico
Confessou várias coisas que dizia límpidas
Sentou-se e descansou sua coluna rígida

Trepou daquela vez como se fosse sádico
Sorveu o seu suor com um desejo úmido
Mordeu os lábios e os seus desejos bêbados
Traçou caminhos tortos com seus dedos sólidos
Desviou o olhar contendo toda mágica
Movia o corpo nu como se fosse trágico
Sentou-se e descansou sua coluna plástica

Por este ser pra comer, pra abraçar e dormir,
Emprenhar, deixar nascer, e pra me fazer sorrir,
Por me deixar respirar, vou te deixar existir
Você
Me pague uma cachaça, a graça já engoli
Não tussa essa fumaça, isso é pra fazer sumir
Os absurdos pungentes que a gente tem de ouvir
Deus te ralhe
Se a uma que se enterra é pra carpir e cuspir
Virão dez outras brejeiras pra quem quer se divertir
Deus te ralhe

..............................................................................................................
Paródia da música "Construção", composta por Chico Buarque.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sim, em Salvador isso se vê


Sim, em Salvador isso se vê
Baldios, terreiros místicos
Onde os mendigos pitam
Sem ter o que comer
E a alta classe
Posta fotos torpes
Nem mil Photoshops
Conseguem esconder
Esconder injustiças
Atrás de muitas edições
Edições feitas pra você

Sim, em Salvador isso se vê
Os pagodes tão cheios
De vidas tão vazias
No Carnaval se vibra, nos outros dias mingua
O valor da minha vida é um voto na máquina e um nome no papel
Aqui ninguém vai pro céu

Não desligue a TV pra ver Deus
Não precisa sofrer, se isso não acontecer com você
Se encontra dois sorrisos atrás de entulhos, atrás da esquina
Vendendo drops de vida
Não desligue a TV pra ver Deus
..................................

Sim, em Salvador isso se vê
Muitos pontos turísticos
Onde os camelôs gritam
Para sobreviver
Há quem não se atrase -
Metrô? Antes fosse!
Um sonho tão doce...
Buzu, cadê você?
Tá cheio! E os meus impostos?
Cidade linda
Linda pra quem veio só pra ver

Sim, em Salvador isso se vê
Os Ba-Vis estão cheios
Carteiras tão vazias
A torcida vibra, pão e pano atiça
Devolva a minha vida e morra envenenada no Dique ou a tiros ao léu
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa escrever pra ler Deus
Ponha sua digital, eu sei o que é melhor pra você
Se encontro duas escolas bem cuidadas numa mesma esquina
São as da "parte rica"
Não precisa escrever pra ler Deus

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Epifania

Despertar
É mais que aterrissar após uma viagem alcoólica num líquido carmim
Suspirar
É a válvula de escape do silêncio após um lânguido olhar brotar em um jardim

À fonte, afronte, apronte;
O horizonte ainda está a nos guiar

Entre ventos frios e agulhas aquáticas
Palavras, almas, dançam
Passos ariscos, ações erráticas
Sintonizadas por poucos canais
Os sinais vêm de longe, de outros cais
Ruídos, espasmos, fagulhas que choram
S.O.S.

Tal qual o astro-mor traz a manhã
Rasgando as negras nuvens com seus raios
Me acorda para o mundo do teu sonhar

Afaga
A lágrima salgada gerada da força da rocha contra a espuma do mar
Acalma
A saudade rouca e a ansiedade por saber o que o destino está a reservar

Por mais que, em primeira instância,
Corpos, silêncios e distância
Sejam, por hora, o que se pode desejar
É melhor do que ter mágoa
De ver que as línguas falam a mesma água
Mas é miragem, deserto, estiagem

Aprecie a paisagem
Beija a ferida exposta
A cicatriz é a resposta
E o troféu
São as pétalas no chão, presente do céu

Tal qual o beija-flor não pára de voar
Até achar sua flor desejada
Prosseguiremos nessa caminhada
Vale a pena, cada pegada
Até o dia que vamos nos encontrar

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Just for the record

Drop it all, all the joke
Forgot the hint, missed the stroke
Hasted the pace, blood pulse on race
"Push the tempo, maestro"

Bravo!
All the show was a mess
Why don't you confess
You only shake the arms
That others control?
Stiff upper lip,
Repeat the riff -
Can't even go solo

'Twas a stranger in the orchestra
'Twas a dissonance
An improper instrument
And a soon entrance
Pitches were higher
Wood and wire,
Plus pores and chords -
Body amplifier

Drop it all, all the base
Change the notes and the phase
Dub the steps that you follow

One finger is for silence
And for the bar
Two are a challenge
Try it up
Warm it up
Tune it up
Change it all
Write it down
Take it down
Out of this sheet
Sheet
Sheet

That debut
Due to the duo
Was refused
Bid adieu

Strings are tuneless and I must scream...
"We..."
Cries on mute, lies subdued, tip-topping an air guitar
"Is it broken, burned and smoking, is it trashed afar?"

Stuck on repeat, stuck feet
Dreaming of pieces of melodies that are left to be done
Wishing for them to become complete